Silvia diz que não recebeu retorno de nenhum dos órgãos aos quais ela denunciou a situação.
(Capital do Pantanal)
O ambiente escolar é seguro para o desenvolvimento intelectual e social das crianças, é na escola que elas aprendem a se relacionar e respeitar o direito do próximo, porém, de acordo com Silvia Vilalva, isso não é o que tem acontecido com um de seus filhos. Ela é mãe de um casal de gêmeos, Gabriel e Maria Luiza, ambos estudam na Escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros, porém Silvia diz que o tratamento com Gabriel, que possui o Transtorno do Espectro Autista (TEA), tem sido discriminatório.
Silvia conta que já buscou seus direitos na Defensoria Pública, Ministério Público e na Corregedoria da Prefeitura, porém nada surtiu efeito para estancar a injustiça e o constrangimento que ela continua sofrendo. Sem saber o que mais poderia fazer para mudar o rumo da sua realidade, Silvia decidiu apelar para o poder da imprensa, recorrendo a Redação do Capital do Pantanal.
Gabriel Vilalva estuda na Pedro Paulo de Medeiros desde os seus 4 anos, e segundo Silvia, já no primeiro dia de aula, quando ainda não existia o laudo médico para autismo, a diretora Tânia Guimarães teria afirmado de maneira preconceituosa, que “aquele tipo de criança não era para estar ali”. Silvia explica que naquele dia as duas terminaram discutindo e dali em diante, os comentários da diretora se tornaram rotina.
Naquela época, o transtorno de Gabriel ainda era investigado pelos médicos, ele passava por exames e era acompanhado por seu pediatra. “Por várias vezes, nos horários de entrada e saída, a diretora Tânia gritava perguntando se meu filho estava medicado, ela gritava na frente de todos, sem se importar com o constrangimento e dor que me causava”, relata Silvia.
Nesta sexta-feira (28), antes de procurar a redação do Capital do Pantanal, Silvia disse ter recorrido a Delegacia da Infância e Juventude, onde registrou um boletim de ocorrência de Assédio Moral contra a diretora.
Silvia conta que desde 2021 a Procuradoria Geral tem ciência do caso de sua família, que recorreu ao gabinete do prefeito e ao Fórum, mas que até hoje ninguém conseguiu cessar os atos da diretora, considerados discriminatórios por ela.
Com base no relato da mãe, a conduta da diretora Tânia Guimarães vai contra tudo o que é defendido pela Educação Inclusiva. O ensino é direito de todo cidadão, incluindo os que possuem o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A educação inclusiva defende a igualdade de oportunidades através da integração dos estudantes, que têm necessidades especiais em escolas regulares. Silvia diz que a Escola Municipal Pedro Paulo de Medeiros não oferece equipe multidisciplinar, nem profissional capacitado para acompanhar o desenvolvimento de seu filho.
Silvia relata que certa vez, em grupo direcionado aos pais em um aplicativo de mensagens, a escola enviou uma lista com o nome dos alunos divididos por grupos, o de Gabriel estava separado dos demais, com um asterisco e sublinhado. “Cheguei a perguntar para professora o porquê, ela tentou desviar o assunto para me convencer de que aquilo não era discriminação”.
Em relato, a mãe diz que nunca foi procurada por nenhum dos órgãos aos quais ela denunciou a situação, mas que não irá se calar, “vou continuar lutando pelos meus direitos e do meu filho. Vou buscar justiça por mim e por todas as mães que assim como eu estão sendo coagidas e morrendo por dentro. Metade de mim já morreu de tanto sofrimento, mas a outra metade continuará lutando por meus filhos”, desabafa a mãe emocionada.
Assista a live com Silvia Vilalva, transmitida pelo Capital do Pantanal nesta sexta-feira (28).
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