A ampliação da Tarifa Branca no Brasil entrou no centro do debate durante o segundo workshop promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), realizado nesta quarta-feira (28), em Brasília. O encontro reuniu representantes do setor elétrico, entidades e órgãos de defesa do consumidor no âmbito da Consulta Pública nº 46/2025.
Durante a discussão, a presidente do Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), Rosimeire Costa, defendeu que a Tarifa Branca pode ser um instrumento importante de modernização do setor, mas fez um alerta direto: mudanças no modelo tarifário não podem resultar em mais pressão sobre um consumidor que já enfrenta aumentos sucessivos na conta de luz.
Segundo Rosimeire, o Conacen apoia o debate e a evolução das regras, desde que os custos não continuem recaindo, de forma desproporcional, sobre os consumidores do ambiente regulado. Ela lembrou que o orçamento do setor elétrico é fechado e que, historicamente, decisões regulatórias e legislativas acabam sendo absorvidas pelo usuário final.
A dirigente também chamou atenção para o acúmulo de subsídios embutidos na tarifa e para o impacto desses encargos sobre famílias que não têm acesso a tecnologias como geração distribuída ou sistemas de armazenamento de energia. Para ela, discutir novas modalidades tarifárias exige uma visão ampla do setor, que leve em conta desde a expansão da geração até a abertura do mercado e a composição final da fatura de energia.
Outro ponto levantado foi o financiamento de políticas públicas ligadas à transição energética. Rosimeire defendeu que esses custos sejam cobertos, preferencialmente, pelo orçamento geral da União, e não repassados automaticamente à conta de luz. Segundo a presidente do Conacen, esse posicionamento já foi apresentado ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, como forma de evitar que o consumidor regulado arque sozinho com decisões estruturais do setor elétrico.
A questão da isonomia tarifária também entrou no debate. De acordo com o Conselho, há distorções que fazem consumidores sem capacidade de investimento acabarem subsidiando outros segmentos do mercado, cenário que precisa ser corrigido no processo regulatório conduzido pela ANEEL.
Além da Tarifa Branca, o workshop abordou temas como sobrecontratação de energia, subsídios à geração distribuída e a variação do preço da energia ao longo do dia. Para o Conacen, a modernização do setor é necessária, mas precisa avançar com cautela e equilíbrio social.
A Consulta Pública nº 46/2025 segue aberta até 9 de março. Consumidores, entidades e agentes do setor podem enviar contribuições por meio do formulário eletrônico disponível no site da ANEEL, que irão embasar a análise técnica e possíveis ajustes no modelo tarifário em discussão.
Assista ao workshop completo aqui.*Com informações da Assessoria de Comunicação Concen-MS.
Receba as notícias no seu Whatsapp. Clique aqui para seguir o Canal do Capital do Pantanal.
Deixe seu Comentário
Leia Também

Programa de energia limpa atende moradores e reduz conta em Corumbá

Prévia da inflação oficial de janeiro perde força e fica em 0,20%

Exportações da indústria de MS batem recorde e fecham 2025 em alta

Petrobras reduz preço da gasolina em 5,2% a partir desta terça

Mercado financeiro reduz para 4% projeção de inflação para 2026

Mais de 3 mil contribuintes receberão restituição na próxima sexta em MS

Conselho amplia poderes do FGC para socorrer banco antes da liquidação

Cresce fatia das classes A, B e C em Mato Grosso do Sul

Agricultores familiares da região de Porto Morrinho recebem atendimento de microcrédito



Em workshop da ANEEL, Rosimeire Costa diz que modernização não pode ampliar custos ao consumidor regulado. (Foto: Reprodução/YouTube/ANEEL)


