A Unidos da Vila Mamona abriu o desfile das escolas de samba de Corumbá, realizado neste domingo (15), na passarela do samba montada na Avenida General Rondon, com uma apresentação tecnicamente consistente e carregada de emoção, celebrando os mais de 15 títulos conquistados ao longo de sua trajetória. Com o enredo “Nhe’ẽ porã: o sopro sagrado que gera a vida — a mística tupi na criação do mundo”, a agremiação desfilou pela avenida com cerca de 650 componentes.
Distribuído em quatro setores, 18 alas, quatro carros alegóricos e dois tripés, o desfile foi concebido como um verdadeiro resgate identitário, com forte carga simbólica e plástica. O resultado foi um cortejo impactante tanto do ponto de vista visual quanto narrativo. O carnavalesco Edilson Oliveira apostou em adereços de grande porte, penas sintéticas e figuras moldadas em vacuum forming, recursos que garantiram volumetria e sofisticação ao conjunto alegórico.
A bateria da Vila Mamona levantou o público com ritmo forte, cadenciado e empolgante do início ao fim. Foto: Capital do PantanalOs carros alegóricos apresentaram bom acabamento e foram inseridos de forma didática na narrativa do enredo, permitindo leitura clara da proposta temática ao longo da evolução. A passarela do samba transformou-se em um vibrante tapete de cores como vermelho, verde e branco, fruto da harmonia cromática entre fantasias e alegorias.
A comissão de frente se destacou pela teatralidade e precisão coreográfica, estabelecendo logo na abertura a chave narrativa do desfile. Outro ponto alto foi a atuação de dois casais de mestre-sala e porta-bandeira, ricamente trajados, que evoluíram com segurança, elegância e sincronismo, valorizando o pavilhão da escola.
O intérprete principal também chamou atenção ao conduzir o samba com intensidade, caracterizado como cacique, transmitindo à avenida a autoestima da comunidade e da diretoria, contribuindo decisivamente para a comunicação do enredo e o envolvimento do público.
Elegância e sintonia marcaram a evolução do casal, que defendeu o pavilhão com técnica e emoção. Foto: Capital do PantanalApesar do brilho da apresentação, durante o desfile ocorreu a inversão de duas alas em relação ao que estava previsto no release oficial da escola. A mudança foi perceptível na evolução da agremiação, mas não apagou o impacto visual e emocional da apresentação. A expectativa é que o ocorrido não comprometa a pontuação nem o reconhecimento do trabalho desenvolvido pela Vila Mamona.
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Enredo sobre a mística tupi marcou a passagem da escola pela avenida. (Foto: Capital do Pantanal)


