O Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) publicou nesta terça-feira (04), no Diário Oficial, uma recomendação com uma série de exigências para a organização dos blocos que irão desfilar no Carnaval de Corumbá em 2026. O documento é resultado de um procedimento administrativo conduzido pela 2ª Promotoria de Justiça da Comarca e tem como foco principal a segurança do público durante a maior festa popular do Estado.
A recomendação é direcionada ao prefeito de Corumbá, Gabriel Alves de Oliveira, à diretora-presidente da Fundação da Cultura, Wanessa Pereira Rodrigues, além dos representantes dos blocos oficiais, independentes e blocos de sujos que participam da programação. Entre eles estão nomes ligados à LIBLOCC, como Praia, Bola e Cerveja, Clube dos Cem, Nação Zumbi, Os Intocáveis, Flor de Abacate, Bola Preta e Vitória Régia, além de blocos independentes como Afoga o Ganso, Tardezinha dos Amigos e Birigui, e blocos de sujos como Chupeta e Cibalena.
O MPMS levou em conta um relatório técnico do 6º Batalhão de Polícia Militar, que apontou problemas registrados em carnavais anteriores, como atrasos nos desfiles, extrapolação de horários e aglomerações que dificultaram a atuação das forças de segurança. Com mais de 50 mil foliões por dia, segundo o próprio Ministério Público, o evento exige planejamento rigoroso para evitar acidentes, tumultos e situações de violência.
Entre as medidas recomendadas estão o cadastramento prévio dos blocos junto aos órgãos competentes, com identificação completa dos responsáveis e definição clara de data e local de concentração. O MP também cobra rigor no cumprimento dos horários oficiais de desfile e dispersão, para evitar sobreposição de blocos e pontos de congestionamento na avenida.
Outro ponto destacado é a proibição total do uso de recipientes de vidro dentro das áreas dos blocos e nos carros de apoio. A recomendação determina que sejam utilizados apenas copos plásticos e latas, como forma de reduzir o risco de cortes e ferimentos graves entre os foliões.
A contratação de segurança privada e de brigadistas também entra na lista de exigências, assim como a vistoria obrigatória do Corpo de Bombeiros Militar em trios elétricos, carros de apoio e alegorias. Os organizadores devem garantir que os veículos estejam em boas condições mecânicas, com proteção de partes que ofereçam risco, e controlar o acesso para impedir que pessoas subam em estruturas em movimento.
O documento ainda reforça que os blocos devem respeitar o trajeto oficial definido pelo Município e pelos órgãos de segurança, evitando paradas não programadas que possam bloquear vias de emergência. A coordenação de cada agremiação é apontada como responsável direta por orientar integrantes e foliões e coibir excessos.
O Ministério Público alerta que o descumprimento das recomendações pode levar à adoção de medidas imediatas por parte da Polícia Militar e de outros órgãos de segurança pública, incluindo a interrupção do desfile, caso a situação coloque em risco a ordem pública ou a integridade física dos participantes. Também não está descartada a responsabilização judicial dos organizadores em caso de irregularidades.
A recomendação foi assinada pelo promotor de Justiça Pedro de Oliveira Magalhães e estabelece que todas as medidas devem ser adotadas antes do início do Carnaval de 2026 em Corumbá.
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Horários, proibição de recipientes de vidro e presença de socorristas são exigidos para proteger foliões. (Foto: Divulgação)


