Há cidades que não são pobres por falta de atividade econômica.
São pobres porque a riqueza que produzem não circula dentro delas.
Empresas operam, produzem e faturam. A cidade funciona como base física, social e territorial desse processo. Ainda assim, o dinheiro passa rápido demais. O que é gerado localmente é transferido para fora, quase sem permanecer no território.
Essa dinâmica produz um efeito conhecido, mas pouco discutido: o empobrecimento por esvaziamento. Não se trata de crise súbita nem de colapso financeiro. Trata-se da ausência de circulação econômica interna.
Quando grandes empresas compram fora, contratam fora, decidem fora e transferem seus resultados para outros centros, o impacto local se limita ao mínimo necessário para manter a operação. O emprego é restrito, os salários são baixos e o comércio local não se integra ao ciclo produtivo.
Nesse modelo, a cidade deixa de ser espaço de desenvolvimento e passa a ser apenas espaço de uso.
Sem cadeia produtiva local, sem valorização da mão de obra e sem retenção de renda, não há economia urbana capaz de se sustentar. O dinheiro não gira, não multiplica e não cria permanência.
O resultado aparece com o tempo: comércio fragilizado, poucas oportunidades qualificadas, jovens que vão embora, serviços que não se expandem. Nada explode. Nada entra em colapso. A cidade apenas encolhe.
Esse modelo não empobrece apenas o presente. Ele compromete o futuro. Porque cidades não sobrevivem apenas de atividade econômica, mas de circulação, fixação e projeto coletivo.
Onde a cidade apenas hospeda a economia, a riqueza passa. E a cidade fica.
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