No começo do ano, muita gente faz planos grandiosos.
Quem vive no Pantanal costuma desejar algo mais simples.
E, talvez por isso mesmo, mais essencial.
Que a cidade funcione.
Que o cotidiano flua.
Que o cuidado seja visível.
Nas cidades, a esperança não se constrói com discursos nem com promessas amplas. Ela se forma na rotina: no que é mantido, no que é limpo, no que é respeitado. Ainda assim, não é raro que o cuidado com o espaço urbano seja tratado como detalhe, quando, na prática, ele define a qualidade da vida cotidiana.
A forma como uma cidade se apresenta revela como ela compreende sua própria história. Ruas limpas, espaços públicos preservados e atenção ao patrimônio não são luxo nem estética. São sinais de cuidado com quem vive ali, com quem chega e com o território que se ocupa.
Entradas urbanas, áreas ribeirinhas, grandes avenidas.
Não são apenas pontos de passagem. São encontros.
São o primeiro olhar de quem chega e o cenário diário de quem mora e trabalha. Mais do que placas ou slogans, importa a sensação transmitida: ordem, dignidade, acolhimento. Uma cidade bonita não é a que não tem problemas. É a que demonstra cuidado.
Cuidar de uma cidade é uma escolha feita repetidas vezes.
Todos os dias.
A força extraordinária das paisagens naturais só se revela plenamente quando o essencial está garantido: o lixo recolhido, a iluminação mantida, as ruas em condições adequadas.
O início de 2026 não pede pressa nem narrativas grandiosas.
Pede atenção.
Talvez o ano que começa seja menos sobre reinventar as cidades e mais sobre cuidar delas com o compromisso silencioso de quem entende que o futuro do Pantanal se constrói, antes de tudo, no cuidado com o presente.
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