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COLUNA

Entrelinhas

Anne Andrea Fonseca de Andrade

Entre o potencial e a execução

Como a qualidade da gestão urbana define o futuro da cidade

23 fevereiro 2026 - 12h25

Corumbá reúne atributos que poucas cidades brasileiras possuem. Está inserida no Pantanal, preserva patrimônio histórico, mantém relevância cultural e ocupa posição estratégica na fronteira. Potencial não falta.

O desafio está na execução.

A qualidade de uma cidade não se mede por seus discursos, mas por sua capacidade de transformar vocação em funcionamento. Iluminação, limpeza, manutenção, conectividade e organização dos espaços públicos. É nesse plano que a política pública se torna concreta.

Quem chega à cidade percebe rapidamente a distância entre expectativa e realidade. A entrada urbana, que deveria comunicar cuidado e planejamento, ainda não reflete plenamente o valor do território. Primeiras impressões influenciam turismo, investimento e confiança institucional.

No Centro, a praça principal continua sendo referência. Durante o dia, mantém movimento. À noite, a iluminação insuficiente reduz a circulação. Espaços públicos que perdem luminosidade perdem também vitalidade. E vitalidade é segurança.

O acesso ao Cristo ilustra outro ponto central. Infraestrutura turística não se resume à paisagem. Degraus desgastados e manutenção irregular comprometem a experiência. Turismo depende de estrutura, não apenas de cenário.

No Porto, área que concentra memória e identidade, o potencial permanece evidente. Mas, sem gestão contínua, transforma-se em oportunidade perdida.

Áreas esportivas e de lazer seguem o mesmo padrão. Iluminação presente, porém insuficiente. Uso existente, mas retraído. Cidades se fortalecem quando seus espaços públicos são ocupados com segurança.

A esse cenário soma-se um fator decisivo no século XXI: conectividade. A instabilidade da internet afeta comércio, educação, serviços e turismo. Cidade desconectada perde competitividade.

Esses elementos, observados em conjunto, não indicam crise. Indicam deficiência de organização.

Especialistas em administração pública são claros. Cidades eficientes operam com processos permanentes. Planejamento, metas, monitoramento e manutenção preventiva são pilares da gestão contemporânea. Sem isso, a administração se torna reativa e fragmentada.

O problema raramente é ausência de recursos. É priorização.

Iluminação eficiente, limpeza regular, conectividade estável, conservação do patrimônio e integração entre secretarias não são políticas acessórias. São políticas estruturantes. Sustentam o desenvolvimento mesmo quando não geram manchetes.

Corumbá possui ativos relevantes. Para transformá-los em crescimento sustentável, precisa consolidar governança urbana. Isso significa coordenação, rotina e padrão.

Cidades que funcionam bem não dependem de eventos para parecer organizadas. São organizadas diariamente.

O debate, portanto, não é estético. É institucional.

Trata-se de escolher entre improviso e método, entre reação e prevenção, entre visibilidade e consistência.

Corumbá não precisa ser reinventada. Precisa transformar potencial em padrão.

Cidade não vive de vocação.
Vive de gestão.

E é essa escolha cotidiana, silenciosa e técnica que define o futuro.

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