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Captação de água no Rio Paraguai ganha olhares dos apaixonados pela arte

Por Kamilla Marques (Com informações da Assessoria de Imprensa da Sanesul)12 JUN 2018 - 10h25min
Na galeria do Sesc Cultura, o artista recebe diariamente o carinho dos visitantesFoto: Divulgação

Localidade em Corumbá, no coração no Pantanal, atrai visitantes para registros fotográficos e contém obra de 1.300 m² do renomado artista internacional, corumbaense Edson Castro 

A ponte de captação no Rio Paraguai da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul, em Corumbá, é um dos principais cartões postais da Cidade Branca. A localidade tem 1.300 m² de pintura da malha do peixe cachara, feitas em 1999 pelo corumbaense Edson Castro em projeto de sua autoria e da produtora cultural Caroline Garcia. Com o sucesso do renomado artista que pintou a ponte e conquistou o público europeu e, atualmente, se tornou cidadão francês e faz exposições fixas na França e na Alemanha, a obra (patrimônio da Sanesul) – bem no coração do Pantanal –, ganha os olhares dos apaixonados pela arte.

Dezenove anos após a criação dessa pintura, Edson Castro retornou à terra natal e recordou como nasceu a imagem que se encontra um pouco apagada com o tempo e cada vez mais viva na visão do artista plástico. “Naquela época, estava feia e cheia de lodo. Eu propus para os empresários de turismo fazer a ponte sumir e valorizar o por do sol. Muitos dizem: eu não via a obra. O conceito era esse: passar despercebido e valorizar o por do sol. Agora o cachara faz parte do cenário de Corumbá e precisa ser restaurado para preservação do patrimônio cultural de Corumbá”, explicou Edson Castro.  

Recentemente, o artista encaminhou o Projeto ‘Artes Cacharas’ ao conhecimento de autoridades de Mato Grosso do Sul para a restauração da pintura na ponte de captação da Sanesul. Segundo Edson Castro, essa obra foi registrada pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), Ministério da Cultura, como arte pública do Brasil em 2002. “A obra vale uma pequena fortuna cultural, quando eu a fiz, eu tinha 29 anos, jovem, subi e desci várias vezes de lá, foi rápido, hoje eu precisaria de apoio e demoraríamos uns 40 dias para fazer a restauração completa”, disse.  

Para o gerente regional da Sanesul, em Corumbá, Eduardo Duque, essa localidade atrai muitos visitantes. “Nossa captação é o principal cartão postal da cidade, mais até do que o Cristo Redentor”, comparou.

Na unidade, segundo Eduardo Duque, os funcionários têm orgulho da captação e cuidados especiais pela preservação da obra e da natureza. “Só se trabalha no fim do arco, a carga sobe e desce com guincho. Essa é a única regional com equipe de mergulhadores para fazer esse serviço”, comentou o gerente.

Edson Castro, de 48 anos. Foto: Divulgação.

Artista corumbaense 

Natural de Corumbá, autodidata Edson Castro, de 48 anos, começou a sua arte na infância. “Num domingo, após o churrasco, meus pais foram dormir e eu usei todo o carvão pintando o chão”. 
A arte do menino foi parar no consultório do médico Cleto Leite de Barros, primo de Manoel de Barros, que o incentivou a seguir o caminho da vida artística. “Eu acordava sempre de madrugada para pintar, minha mãe, preocupada, me levou ao doutor Cleto, afirmando que eu tinha lombriga e, por isso, acordava para pintar”, recordou. 
Feitos os exames, o médico reconheceu o dom de Edson Castro que produzia aquarelas. “Ele disse para minha mãe: -Dona Adélia, seu filho é um artista”! 
Assim, a mãe de origem indígena guató e o pai, da etnia guarani, deixaram o filho desbravar o mundo. Aos 14 anos, Edson Castro saiu de casa e foi morar em Campo Grande.  Na maioridade, o artista teve a primeira grande conquista. “Com 18 anos, ganhei o Prêmio Novos Talentos”, lembrou.  

Em seguida, começou a jornada pelo Brasil. “Eu vivia da arte, em Porto Seguro, na Bahia, vendia aquarela na praia até que fui para São Paulo e consegui exposições e minhas obras foram compradas por bancos.”

Com o reconhecimento artístico, Edson Castro foi mergulhando cada vez mais na cultura, estudou a História da Arte em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em 2008, se matriculou no Instituto Católico de Paris e foi estudar a música e a língua francesas. “Cheguei ao bairro dos artistas Montmartre e me senti em Corumbá, com ladrilhos e paralelepípedos”, disse.

Após um ano em Paris, Edson Castro teve a oportunidade de convidar o crítico em artes, Gerárd Xuriguera, mais respeitado da Europa, que aprovou o trabalho dele. “Meu amigo disse: você precisa convidar Gerárd para conhecer o seu trabalho. Se ele gostar, você terá sucesso e se ele não gostar... Eu liguei e ele estava almoçando perto do meu ateliê e disse que viria em uma hora. Nesse intervalo, eu pensei se ele não gostar, eu voltarei para Corumbá e serei pescador. Ele veio e gostou. Depois dele, duas revistas da França me procuraram e a minha arte ficou conhecida”, contou.

O crítico Gerárd Xuriguerá aprovou mesmo, que até prepara um livro de arte sobre a obra de Castro, em editora especializada, com lançamento para este ano. Edson hoje realiza exposições temporárias e permanentes em galerias como Galerie Ad Hoc Corner em Saint-Paul de Vence, no sul da França; Yohann Gallery, Galerie Rauchfeld e Galerie Le Pavé d’Orsay, no bairro Saint Germain des Prés, um dos mais importantes polos de galerias e museus de arte da cidade. Recentemente, foi convidado pelo Sesc Cultura e está com exposição à mostra até o próximo dia 31 de julho.

Reconhecimento popular

Na galeria do Sesc Cultura, o artista recebe diariamente o carinho dos visitantes. Impressionadas com arte, a engenheira agrônoma Virgínia Takayassu e a sobrinha se encantaram quando perceberam que estavam ao lado do artista no espaço cultural. “Muito bacana conhecê-lo”, disse a engenheira agrônoma aposentada. 

O reconhecimento dos sul-mato-grossenses é gratificante para Edson. “Eu fiquei muito tempo fora, meus pais faleceram e as minhas raízes aqui são a minha filha Jadi (arquiteta Jadi Castro, de 25 anos), a arte e o meu filho no Rio de Janeiro (diretor de arte publicitária Guilherme, 22 anos), ouvir que admiram o meu trabalho faz um bem à alma”.  Localidade em Corumbá, no coração no Pantanal, atrai visitantes para registros fotográficos e contém obra de 1.300 m² do renomado artista internacional, corumbaense Edson Castro 

 

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